Estava procurando um assunto/tema que fosse interessante, mesmo sendo comum nas conversas entre bailarinas e bailarinos, professores e amantes da dança, e me recordei de um tema que traz dúvidas ao mesmo tempo que causa, de certa forma discussões por opiniões controvérsias. As vezes nos perguntamos, "porque será que aquela bailarina é bem mais flexível e alongada que eu, que vivo me esforçando e realizando todos os exercícios que conheço para ter as pernas na cabeça, enquanto ela nem faz metade disso?" e vários outros porquês...
Sim a comparação entre bailarinos existe e é muito frequente. Mas existe uma linha muito tênue no que diz respeito ao limite dessa comparação. Ou seja, até que ponto ela pode ser considerada saudável e quando ela já é sintomática. Não só apenas na flexibilidade, que há comparação. Cada movimento, jeito de dançar (único de cada bailarino), maneira de mover a cabeça e até mesmo o sorriso, são passíveis de comparação. Porém essa questão deve ser observada com cuidado.
A comparação acontece, muitas vezes, por vermos no outro, algo que de alguma forma não temos/possuímos, seja ele em que aspecto for, ou até mesmo porque admiramos de certa forma, uma pessoa e vemos nela um modelo. Alguém a se espelhar (ora não é assim que aprendemos os passos do Ballet?).
"Quando eu crescer quero ser igual a Svetlana Zakharova". Poderíamos dizer, que esse grau de comparação, que nos leva a querer melhorar cada vez mais, é de certo modo, saudável. Mas aí entramos também nas discordâncias.
Algumas pessoas, entendem a comparação como algo sempre negativo. Exatamente porque, como disse antes, a linha que divide o positivo do negativo, ou melhor.. o saudável do doente, é muito fina e pequena.
É necessário muito cuidado e auto-observação sempre. Acredito que se comparar ao outro, pode sim, ser benéfico. A partir do momento que eu entendo que, quero melhorar e que aquele outro representa o meu objetivo ou meta atual.
Agora, quando percebo que esse comparação diminui a minha pessoa, e a visão positiva que tenho de mim mesmo, perante a outra, já e sinal de que foi perdido o foco no meu objetivo, não me considerando mais como bailarino bom, que possui qualidades, e mais além... Porque eu danço? o que eu sinto quando danço?....
Há de se melhorar, mas não em querer ser igual o outro, porque tudo no outro é melhor que eu. Isso não existe, e de modo algum é verdade. Cada ser humano é único em suas características.. Cada bailarino é único em suas características, portanto buscar o melhor que eu posso ser trás mais benefícios e saúde, do que buscar ser melhor que o outro, porque se quer mostrar para o outro que se é melhor que ele.
A comparação sempre vai existir. A questão é você saber usar ela a seu favor.
Quantas vezes assistimos videos/gravações realizadas de nós dançando a três quatro anos atrás, e não tivemos uma reação assim: "nossa como eu melhorei, ainda bem." E mesmo quando assistimos um vídeo atual, sempre reparamos os nossos erros, mais do que os acertos. E se pensarmos, isso pode ser chamado de comparação também, a partir do entendimento de que aquilo você pode melhorar. E de novo voltamos ao fator: "buscar o melhor que posso ser".
Já me comparei muito com outras bailarinas e isso acontece ainda, principalmente porque tenho uma característica que contribui muito para isso, o perfeccionismo. E gente isso é inerente a condição 'bailarinistica'. E contribui muito para as questões de comparação. Quando falamos em comparação, perfeccionismo, me lembro das inúmeras cenas do filme "Cisne Negro", que de maneira dramática representa muito bem essa questão.
Qual o limite pra você então?




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